Lançado em 3 de junho de 2005, o DENTROD´ARTE é destinado à divulgação de textos de autores ainda não muito conhecidos do grande público. É um blog para os amantes da arte feita com palavras, imagens e, principalmente, com o coração. DENTROD´ARTE porque as ebulições da arte nascem dentro d’alma!
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Em plena época de mundo globalizado, com informações circulando em tempo real nos quatro cantos do planeta, a humanidade caminha em terrenos cada vez mais perigosos. Como se não bastassem as constantes tensões causadas pelos atentados terroristas – que atingem inocentes nos lugares mais imprevisíveis, a mídia resolveu colocar lenha na fogueira, sob pretexto da liberdade de imprensa. As charges publicadas por jornais dinamarqueses, enfocando o profeta Maomé (ícone sagrado para os muçulmanos), são provocações desnecessárias num momento histórico bastante difícil para os povos de todos os países. É como se, de repente, revivêssemos uma antiga rivalidade entre Ocidente e Oriente, que por séculos desencadeou batalhas sangrentas entre cristãos e muçulmanos, mais conhecidas como Cruzadas. Naquele tempo os motivos de fachada para tanta desavença eram religiosos, embora a busca de terras e riquezas fosse o real interesse dos patrocinadores das Cruzadas. Hoje a geografia mundial tem outro desenho e o poder de fogo de exércitos oficiais e não oficiais é o suficiente para destruir a Terra duas vezes (um verdadeiro contra-senso!). No entanto, as relações entre cristãos, judeus e muçulmanos – representados por suas respectivas nações – ganham contornos de verdadeiros campos minados, barris de pólvora prontos para explodir. Os detonadores? Estes já vêm sendo acionados há bastante tempo. Que o digam os israelenses e palestinos, que há bem mais de meio século travam uma guerra insana e sem qualquer perspectiva de um final feliz. O mesmo vale para a postura intervencionista dos Estados Unidos em nações consideradas inimigas, como Afeganistão e Iraque, que acarreta reações violentas contra todos aqueles apontados como aliados dessa política externa. “O futuro não é mais como era antigamente”, como disse Renato Russo na música “Índios”. Lembro-me perfeitamente de quando era criança, na década de 70, e imaginava um futuro totalmente diferente para o Brasil, para o mundo. Com a ingenuidade típica do universo infantil, eu achava que no ano 2000 (o máximo que eu conseguia chegar em termos de imaginação do futuro!) já não haveria mais pobreza no Nordeste, porque os governantes teriam levado água para os locais mais secos. Imaginava que jamais voltaríamos a ter um conflito tão grandioso como a Segunda Guerra Mundial, que eu conhecia através dos livros... Por mais otimista que eu queira ser (e, de fato, sou!) hoje já não consigo mais vislumbrar um futuro promissor para a humanidade. Se não estamos conseguindo cuidar bem da nossa própria casa maior – a Terra, o que esperar de bom? Tomara que as próximas gerações sejam mais inteligentes e, em vez de tentarem encontrar um lar em outras paragens do sistema solar, recuperem e cuidem do planeta que acolheu por milênios seus antepassados.
(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 17 de fevereiro de 2006)