
messias
Theo Alves
sozinho
ele está despido
no deserto
escreveu seu coração
na areia
para não carregar a angústia
pétrea de seu medo
até os últimos dias
quando o povo vier ao seu encontro
ele fugirá
para mais longe ainda
continuará despido e
só
sozinho
ele estará despido
no deserto

da criação
Theo Alves
um verso
me faz sangrar as narinas –
o poema
é sempre uma violência
um verso
me arrebata e me governa –
o poema
é sempre uma bastilha tomada
um verso
quebra os ossos de quem amo –
o poema
é sempre alguma culpa
um verso
me encarcera para sempre –
o poema
é sempre a pena irrevogável.
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