“ANAVAN..........TU”!
Augusto Vieira

Estamos em junho. Friozinho gostoso, com um solzinho maneiro. Dormir debaixo de polpudas cobertas. Lá na roça o pessoal chamava cobertor de “ribuço”. Havia o verbo “ribuçar”. Apesar do que estão destruindo da natureza, junho ainda conserva suas características. É o mês das fogueiras: de Santo Antônio, São João e São Pedro. Beber quentões, comer paçoca com café quente, assar batatas-doces e milhos-verdes no braseiro das imensas fogueiras, em volta das quais rolam aqueles bate-papos mineiros, plenos de “causos”, charadas, piadas e até de algumas poucas maledicências. A meninada, alegre, se diverte com traques e bombinhas e levanta poeira no pátio, de tanto correr. E as quadrilhas? Que coisa mais deliciosa. O padre, a noiva, o noivo, o delegado, os padrinhos do casamento e o pessoal, ao som da sanfona, simulando atravessar um rio, proteger-se da chuva, passar debaixo da ponte, com aqueles passos lindos, em trajes típicos. A pintinha preta no rosto das mulheres, os dentes cariados dos homens e aqueles chapéus de palha, ora charmosos, ora espalhafatosos, que compõem uma das coreografias mais belas do Brasil. Ainda não descobri porque o linguajar do “cantador” da quadrilha é francês roceiro. Quem souber, por favor, me avise. Seria do cotilhão (“cotillon”), que significa anágua e era aquela dança para quatro pares, formados em quadrados, surgida na França do século XVIII? Qual nada! Quadrilha deve ser coisa nossa. É muito mais criativa, muito mais movimentada, muito mais envolvente e com muito mais gente dançando. Deve ser alguma gozação que o brasileiro fez das danças francesas, assimiladas pela alma brasileira, por ocasião das invasões ao Maranhão e ao Rio de Janeiro (duas vezes). E deu no que deu... E o céu de junho? Coisa mais linda! Divinamente estrelado, leva-nos ao desejo de caminhar pela Via Láctea, de correr entre estrelas cintilantes, cavalgando um belo corcel branco, em direção à conquista de um grande amor. — É, meu cumpade, junho é bão dimuais.
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