DENTROD´ARTE

Apresentação

Lançado em 3 de junho de 2005, o DENTROD´ARTE é destinado à divulgação de textos de autores ainda não muito conhecidos do grande público. É um blog para os amantes da arte feita com palavras, imagens e, principalmente, com o coração. DENTROD´ARTE porque as ebulições da arte nascem dentro d’alma! CONTATOS: dentrodarte@yahoo.com.br


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POETISA POTIGUÁ

 

Os amigos já estão atendendo ao meu convite para publicar seus textos no DENTROD’ARTE. É o caso de Luciene Danvie (foto), uma potiguá da minha querida Currais Novos-RN (cidade onde morei em 1992 e onde fiz grandes amigos). Luciene é graduada em Letras pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e já há algum tempo mantém vivo um trabalho autoral com poemas e contos. Apresento a seguir um de seus poemas e, em breve, trarei um conto.


Posted: 12:46 PM, Jun. 21, 2005
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AUTOR CONVIDADO

O ofício
Luciene Danvie

 

A folha incessante do ofício está posta
Uma insistente máquina de escrever ainda resiste
Como as batidas de um coração antigo e ultrapassado
Sob as mãos titubeantes de uma iniciante
Tac, tac, tac da antitaquicardia
As horas, vez em quando, param no tempo
Marcam os momentos de um dia que nunca anoitece
De um amanhã sem hoje
Responsável pela ordem das datas
E uma insistente máquina de escrever ainda resiste
Como as batidas de um coração antigo e ultrapassado
Sob as mãos titubeantes de uma iniciante
Tac, tac, tac da antitaquicardia
Enquanto isso, o sol acinzenta-se dentro das salas pálidas
Já está protocolado no ofício do ofício
Que “tempo é dinheiro”
Não há nada mais para se pensar
E uma insistente máquina de escrever ainda resiste
Como as batidas de um coração antigo e ultrapassado
Sob as mãos titubeantes de uma iniciante
Tac, tac, tac da antitaquicardia

 


Posted: 12:27 PM, Jun. 21, 2005
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OBRIGADO PELOS COMENTÁRIOS

Quinze dias após ter lançado o DENTROD´ARTE, fazendo um primeiro balanço a partir dos comentários enviados pelos amigos que já o visitaram, sinto-me feliz por estar no caminho certo. Até o momento tenho colocado apenas meus textos publicados há algum tempo, já que um dos meus objetivos com este blog é também rever minhas produções, enriquecendo-as com ilustrações. Os textos mais recentes - aqueles publicados toda sexta-feira no TRIBUNA LIVRE, podem ser conferidos na internet no site do jornal (www.tlivre.com.br), na coluna OPINIÃO.

Mais uma vez agradeço os comentários e incentivos e aguardo os textos dos velhos amigos e também de quem ainda terei o prazer de conhecer. Para isso peço que usem o e-mail do blog (dentrodarte@yahoo.com.br). A seguir um dos meus textos já publicados...


Posted: 03:14 PM, Jun. 17, 2005
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Posted: 03:08 PM, Jun. 17, 2005
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MÚSICA

As pérolas de Roberto Carlos
Roberto D’arte

 

          Mesmo tendo passado boa parte da minha vida ouvindo críticos e artistas confiáveis alardeando maravilhas da obra de Roberto Carlos, demorei pelo menos quinze anos para saber do que eles estavam falando. Na minha infância, na década de 70, chegava a escutar algumas das músicas que hoje sei fazer parte de uma época áurea da carreira do maior expoente da Jovem Guarda e da MPB. No entanto, logo entraria na adolescência e dividiria meu gosto musical entre o rock nacional e internacional (neste caso, mais voltado para a “safra” de 60/70), partilhado com a própria Música Popular Brasileira, através de Caetano, Gil, Milton, Djavan, Chico, João Bosco etc.
          Confesso que o título de “Rei”, somado ao longo período de discos recheados de homenagens a caminhoneiros, gordinhas, mulheres de óculos etc, pouco me seduziram em conhecer com mais propriedade a obra de Roberto. Felizmente, tive o prazer de ser “reapresentado” a ela por um amigo e pude ver que sua discografia possui verdadeiras pérolas, que certamente são inéditas para a nova geração, já massacrada pela montanha de lixo que vem se acumulando no mercado fonográfico, nas rádios e nos programas de auditório da TV.
           Além das excelentes letras, os arranjos melódicos das canções mais antigas de Roberto Carlos (a maior parte assinada também por Erasmo Carlos) são feitos sob medida para emocionar. Quem quiser conferir, deixo a seguir os nomes de, pelo menos, uma dezena delas, praticamente todas sucesso absoluto nas rádios do País na década de 70: “Quero ter você perto de mim”, “Sua estupidez”, As flores do jardim de nossa casa”, “Eu disse adeus”, “As curvas da estrada de Santos”, “Como vai você”, “O divã”, “Cavalgada”, “Menor que o meu amor” e “Detalhes”.
           Sei que as aspirações e as fases na carreira de um artista mudam de acordo com as suas próprias mudanças interiores ou amadurecimento profissional. Nem sempre os fãs entendem e respeitam isso, o que leva muitos a terem uma visão egoísta e simplória daqueles a quem admiram. O que é estranho é perceber, no caso da música, que muitos deles embarcaram na onda dos apelos meramente comerciais, deixando de lado uma qualidade que era marca registrada de seus trabalhos iniciais. A evolução pressupõe uma subida gradativa de degraus e não o contrário. Com Roberto Carlos isso é nítido! Eu desafio a qualquer crítico de música a apresentar argumentos plausíveis defendendo a tese de que os últimos quinze anos da sua discografia tenham sido melhores do que os primeiros.
           Em termos comerciais é até compreensível que ele siga uma linha mais próxima do que tem sido oferecido ao grande público, principalmente no campo do “sertanejo romântico”. Seus especiais de fim de ano na Rede Globo sempre têm uma parte dedicada ao passado, mas sempre em cima dos hits já muito regravados ou muitíssimos conhecidos. As bandas que o acompanham nestas apresentações são sempre de extrema qualidade, mas sinto falta das belíssimas músicas que poucos hoje têm o privilégio de ouvir, a não ser que corram atrás. Nem os programas de flash back, que quase todas as rádios comerciais têm, costumam tocar estas e outras pérolas deste capixaba de Cachoeiro de Itapemirim.
            Aqui neste espaço registro o meu oportuno e totalmente dispensável “mea culpa”, também para oferecer a oportunidade de falar do que vale a pena, mas, principalmente, para me retratar com minha própria consciência pelas incontáveis vezes que ofendi Roberto enquanto artista. Sempre é tempo de se rever os próprios valores e conceitos, permitindo-se vencer as próprias limitações e, por que não, as limitações dos outros.

 

(Publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 9 de março de 2001)


Posted: 02:55 PM, Jun. 17, 2005
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MARES DE MINAS

               O DENTROD’ARTE recebe um outro convidado muito especial: Renato Pedrekal – meu amiguirmão de infância, parceiro de estradas e vivências e, nos últimos quatro anos, também compadre (sou o dindo da sua Hanna Clara, que faz 4 aninhos no dia 19 de junho próximo). Ele é, sem dúvida, uma das pessoas mais sensíveis e espiritualizadas que eu conheço. Sua sensibilidade para as artes (a música, a literatura e o cinema, com mais veemência) e para a percepção dos meandros da alma é de uma agudeza impar.
                Embora seja um baiano de Salvador, um amante do litoral, Renato é também um boanovense das montanhas, já que sempre fez de Boa Nova (a minha terra natal) a sua terra natal de coração. Foi nesse dueto entre o mar e as serras que nasceu a sua (e a minha também!) paixão por Minas e sua música. Desde antes dos 10 anos já ouvíamos extasiados as pérolas de Milton, Beto, Lô e dos outros grandes poetas do Clube da Esquina.
               No texto a seguir Renato (que também é um exímio poeta, compositor e instrumentista) desnuda sua profunda admiração por este Clube invisível, mas por demais concreto na vida de milhares de brasileiros e estrangeiros. Certa vez ele me disse que foi a música mineira uma das principais motivações da sua mudança de Salvador para Belo Horizonte. Algo que, inclusive, o instigou a trocar e-mails com Fernando Brant – um dos grandes mestres deste movimento poético-musical das Gerais.
                Aproveito a oportunidade para deixar aqui uma dica para os internautas que queiram saber mais sobre essa fantástica turma mineira. Não deixem de conferir o Museu Clube da Esquina (
www.museuclubedaesquina.org.br).


Posted: 12:26 PM, Jun. 16, 2005
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Autor convidado

Pequena digressão sobre o Clube sem portas
Renato Pedrekal


 

 

O Clube da Esquina fechou suas portas. O Clube da Esquina nunca teve portas. Diz-se que em Minas não há mar. Os escafandristas do Clube da Esquina, moleques da alma, provaram que isso não é verdade. Não existe cidade sem mar, Belo Horizonte não seria exceção. Como um horizonte seria belo sem mar? Os escafandristas da alma beberam-no inteiramente. O cinema, a música, a psicologia, a poesia - todos são frutos do mar. Todos foram sondados pelos escafandristas. Os meandros da alma, os porões do sentimento, a força que ressurge das cinzas para os que se dispõem a se atirar nos abismos das emoções - sábios de asas firmes, nietzscheanamente embebidos de coragem e fé. Milton Nascimento é quase mudo - como os peixes, habitantes das profundezas, residentes de conchas em cujas superfícies já se vê reluzir a pérola oculta nas entranhas. Milton toca não o instrumento, mas através dele. Então Milton encontra suas palavras na pena de um poeta Fernando - tinha que ser um outro Fernando, uma Pessoa. Esse que sonda as excelsas alturas da imaginação, envolvendo-a em plena realidade. Esse que não desiste de seguir, nem de incitar - as claras marchas que alegram o porvir. E olha que muito se fez noite em seu viver, nos confidenciou ele, de cara, na lata. Márcio Borges, o menino denso, criou estrelas-do-mar nas mãos, quando o mar assim deixava. Márcio precisou de câmera - não é sempre que o mar se mostra a olho nu. O Clube da Esquina é um clube de videntes, rimbauds das esquinas que preferem um café com leite vivos, bem vivos - a grande overdose é viver. E de preferência espiando, espreitando, que mineiro não é de jogar conversa fora. O Clube da Esquina jogou conversa dentro.
Diz-se que alguns "gringos" vieram procurar o Clube da Esquina. Alguém devia ter-lhes dito: procura no mar.  Que mar? Bem, não se pode forçar uma percepção. O coração dos meninos também não é de ferro. E no clube tem muita molecagem. Ronaldo Bastos conhece o mar de perto, supõe-se. Supõe-se porque ele viu logo que em Beto Guedes havia mar. Havia translúcido raiar de Sol numa manhã para sempre dourada. De Setembro a Setembro.
Bruxo Tavinho, bruxo Tavinho Moura. Embrenha-se nas matas e de lá traz feras domadas em harmonia, viagem das mãos. Dele, suas, nossas, todas as mãos, entrelaçadas na doçura dissonante que parece que não cabe - mas cabe, Luz suprema.
Lô. Quando se nasce sábio, salvo - uma rocha contemplando seus companheiros. Não é fácil encontrar a delicadeza das rochas, ainda mais oceano a dentro. Qual a resposta, Lô? Ah, sei... Nas estradas, pó poeira, ventania. "O que você pensa que são os tênis na capa. Eu andei, cara. O caminho se faz ao andar, não é assim?". Lô andou muito antes de nascer, por isso já nasceu pronto, tinindo. Mas, humildemente, finge que aprende, enquanto vai ensinando.
Os escafandristas sabem que ficar de frente para o mar e de costas para o Brasil não vai fazer desse lugar um bom país. Há que se ficar DENTRO do mar, por isso se mergulha tanto em Minas.
O que o Clube não prescreveu, o que não está escrito em sua bula inexistente, é que há, além do Mar de Minas, miragens dele: é por isso que se vai tanto aos bares em Minas: a névoa, a fuga, a impotência indecente, a perda de indignação, a alienação, o equívoco - e a dor de enforcados, dos pelourinhos da alma. É por isso que também existe música ruim em Minas, e letristas abaixo do subsolo, e psicanálise de boteco fora do boteco, porque também se embebeda através de idéias tortas via pretensão e arrogância. O Mar, símbolo do inconsciente, às vezes engana, confunde, trai. O Clube da Esquina, no entanto, tinha sereias como fãs, como ídolos, não como inimigas, não como assassinas. Vacina de geração, certamente.  Nada mais se questiona em mesa de bar - embebeda-se, esquecidamente. Não mais sorrisos - gargalhadas grosseiras. Porque não se vê o Mar. Embora, os moleques do Clube da Esquina sempre o tenham visto, sempre tenham nadado nele, sempre tenham mostrado como ele é - sempre tenham sonhado acordados o milagre do viver. E dos peixes.


 

 

 

 


Posted: 12:00 PM, Jun. 16, 2005
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Comentários

          Parte do seleto e especialíssimo rol dos “amiguirmãos”, Vanzye é um daqueles talentos da música que estão à margem do grande público por causa das portas fechadas da indústria fonográfica para os expoentes da MPB de boa qualidade. Formado em História pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e professor da área em Salvador, Vanzye é apaixonado por música desde pequeno, quando, na nossa cidade natal (Boa Nova-BA), ainda o chamávamos de Ivanzinho (do seu Ivan Farias, de batismo).
          “Romã”, a letra que coloco a seguir DENTROD’ARTE é uma parceria sua com dois colegas da época de faculdade. Ela ganhou uma belíssima melodia e foi registrada em seu CD independente “Cios do Mundo”, de 1998, que teve tiragem limitada e foi produzido por nós dois (apesar de ter ficado defasado, o site que apresenta este trabalho pode ser conferido a partir do seguinte endereço:
www.vanzye.cjb.net). Neste disco também têm cinco canções da nossa parceria, que noutra oportunidade colocarei aqui. Outras tantas ainda não puderam ser registradas em disco, mas estão devidamente gravadas no mapa do seu violão... Quiçá o Brasil possa um dia conhecê-lo!!!


Posted: 01:13 PM, Jun. 10, 2005
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Autor convidado

 

Romã
(Vanzye / Carlos Barros / Pio Otávio)

 

 

Roma fruta do ocidente
Romã fruta de hoje e sempre
De aedos e cantores
Causadora de temores

 

Romã e seu ã de tão cedo
Traz um banho de luz adiante
Ah, Romã me diz teu segredo
E alma pro mar dos viajantes
Romã do pé de coisa natural
Passado da mulher seu astral
Passado do mundo meu
Raiz
Roma do deus que ainda hoje diz

 

A clara mais poesia
De alguém de quem não ouço a voz
Romã, diga bom dia
E abre no peito um sol feroz

 

Romã de crianças de cor
Roma de cor vermelha da guerra
Romã com o ã de ser do amor
Roma dos ares quentes da Terra

 


Posted: 01:04 PM, Jun. 10, 2005
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Vanzye sempre dá às suas músicas um toque poético,

bem característico do seu jeito de compor


Posted: 08:39 AM, Jun. 10, 2005
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A foto, de 1981, mostra Vanzye e eu cantando num festival de música

promovido pelo Banco do Brasil de Boa Nova-BA, nossa cidade natal


Posted: 08:36 AM, Jun. 10, 2005
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ANAVAN TU, BALA!!!

  Bala é amante da música, da literatura, da vida...

 

            De sensibilidade humana e literária como poucos, o escritor, músico e ex-juiz mineiro Augusto Vieira (o Bala) se faz presente DENTROD´ARTE com um texto publicado recentemente em seu blog (www.augustovieira.trix.net). Apresentado a mim por Luciana Macedo (minha namorada), Bala é daquelas figuras de fácil trato e a quem se pode ter como amigo para a vida inteira.
           No texto a seguir ele traz a magia e a alegria poética das festas juninas interioranas, que só quem é nordestino (como eu) ou do Norte de Minas (como ele) pode traduzir enquanto memória afetiva.


Posted: 08:28 AM, Jun. 10, 2005
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Autor convidado

“ANAVAN..........TU”!

Augusto Vieira

 

 

               Estamos em junho. Friozinho gostoso, com um solzinho maneiro. Dormir debaixo de polpudas cobertas. Lá na roça o pessoal chamava cobertor de “ribuço”. Havia o verbo “ribuçar”. Apesar do que estão destruindo da natureza, junho ainda conserva suas características. É o mês das fogueiras: de Santo Antônio, São João e São Pedro. Beber quentões, comer paçoca com café quente, assar batatas-doces e milhos-verdes no braseiro das imensas fogueiras, em volta das quais rolam aqueles bate-papos mineiros, plenos de “causos”, charadas, piadas e até de algumas poucas maledicências. A meninada, alegre, se diverte com traques e bombinhas e levanta poeira no pátio, de tanto correr. E as quadrilhas? Que coisa mais deliciosa. O padre, a noiva, o noivo, o delegado, os padrinhos do casamento e o pessoal, ao som da sanfona, simulando atravessar um rio, proteger-se da chuva, passar debaixo da ponte, com aqueles passos lindos, em trajes típicos. A pintinha preta no rosto das mulheres, os dentes cariados dos homens e aqueles chapéus de palha, ora charmosos, ora espalhafatosos, que compõem uma das coreografias mais belas do Brasil.
                 Ainda não descobri porque o linguajar do “cantador” da quadrilha é francês roceiro. Quem souber, por favor, me avise. Seria do cotilhão (“cotillon”), que significa anágua e era aquela dança para quatro pares, formados em quadrados, surgida na França do século XVIII?
                 Qual nada! Quadrilha deve ser coisa nossa. É muito mais criativa, muito mais movimentada, muito mais envolvente e com muito mais gente dançando. Deve ser alguma gozação que o brasileiro fez das danças francesas, assimiladas pela alma brasileira, por ocasião das invasões ao Maranhão e ao Rio de Janeiro (duas vezes). E deu no que deu...
                 E o céu de junho? Coisa mais linda! Divinamente estrelado, leva-nos ao desejo de caminhar pela Via Láctea, de correr entre estrelas cintilantes, cavalgando um belo corcel branco, em direção à conquista de um grande amor.
— É, meu cumpade, junho é bão dimuais.

 

www.augustovieira.trix.net

 


Posted: 08:10 AM, Jun. 10, 2005
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BLOG EXPLOSÃO


Posted: 12:36 PM, Jun. 3, 2005
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APRESENTAÇÃO

Uma BLOG EXPLOSÃO de idéias


Quando surgem no universo virtual um novo site, um novo blog, um novo fotolog, significa que alguém lançou ao vento (ou melhor, no ciberespaço) suas idéias. Não importa o motivo ou o teor delas (desde que não sejam para tornar o mundo pior, é claro!); o que vale é a iniciativa de mais um internauta em criar sua própria "editora", sua própria "mídia".
Por já estar há um bom tempo na estrada das letras, das artes e do jornalismo, ver minhas idéias publicadas não é para mim uma novidade em si. No entanto, criar um blog para casar textos e imagens de minha autoria e produzidos por amigos e desconhecidos pouco ou nada conhecidos do grande público, é algo totalmente novo em minha vida.
A idéia e o incentivo de lançá-lo são de uma pessoa muito especial (minha namorada Luciana), que, diga-se de passagem, possui um blog especialíssimo e muitíssimo visitado – o “Canastra da Emília” (
www.canastradaemilia.blogger.com.br). Trata-se de um espaço também voltado para a literatura e afins, que sempre traz novidades e alegrias para seus visitantes.
É exatamente isso que espero com o DENTROD´ARTE: levar novidades e alegrias para seus visitantes. Por enquanto estão apenas alguns dos meus textos de períodos diferentes. De agora em diante espero estar publicando textos de amigos e de desconhecidos que queiram ver aqui suas produções. Neste caso, vale ressaltar que as imagens ficam por conta da minha leitura dos textos (uma pequena contribuição para deixá-los com a cara do blog). Os autores que quiserem enviar seus trabalhos (ou mesmo suas fotos), o e-mail de contato é o
dentrodarte@yahoo.com.br.
Que possamos, então, fazer daqui uma verdadeira BLOG EXPLOSÃO de boas idéias! Espero vê-los DENTROD´ARTE muitas e muitas vezes,


Roberto D´arte


Posted: 12:18 PM, Jun. 3, 2005
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RESILIÊNCIA


Posted: 02:08 PM, May. 30, 2005
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EM BUSCA DA RESILIÊNCIA

Em busca da resiliência
Roberto D’arte

 

          Embora qualquer pessoa seja capaz de superar as adversidades ao longo da vida, há algumas que fazem isso de uma maneira especial, quase heróica. Este assunto vem despertando o interesse de especialistas em comportamento do mundo todo.
          O nome dado a essa capacidade de resistir e de crescer em meio a sucessivos problemas vem da física e praticamente não era usado em outras áreas até bem pouco tempo. Trata-se da resiliência, que é “a propriedade que alguns materiais apresentam de voltar ao normal depois de submetidos à máxima tensão”. É o caso das fibras de um tapete de nylon, que recuperam a forma assim que acabam de ser pisadas e amassadas.
          Psicólogos que estudam o comportamento de pessoas oriundas de comunidades atingidas por enchentes, terremotos, perseguições raciais, violência e guerras perceberam que, entre elas, algumas se saem bem e outras, não. Segundo os especialistas, até a década de 1990 essa habilidade para lidar com os problemas era uma espécie de dom que certos indivíduos já traziam ao nascer. Outros estudos, porém, apontaram que a resiliência pode ser construída e que é na infância a melhor fase para alicerçá-la.
          A grosso modo, é como se cada obstáculo vencido na vida “vacinasse” o indivíduo para o próximo. Por esta ótica dá para compreender melhor a teoria que defende a possibilidade de qualquer um ser um resiliente em potencial. Com base nela, em setembro de 2003 – dois anos após o ataque terrorista aos Estados Unidos – foram distribuídas nas escolas de Nova York dois milhões de cartilhas destinadas às crianças entre 8 e 11 anos. O objetivo: dar a elas instrumentos básicos para que possam ter resistência na passagem para a vida adulta. A decisão de utilizar tais recursos veio de psicólogos que confirmaram a eficácia da intervenção social adotada com os filhos das vítimas do atentado às torres gêmeas.
          Assim que tive contato com o tema, há pouco tempo, me identifiquei de imediato com a sua essência. Longe de ser uma vítima dos trágicos infortúnios que motivaram tal estudo, me considero, ao menos, uma pessoa em busca da resiliência. Vivemos tempos difíceis em que os problemas de fundo emocional parecem não poupar ninguém. Se deixar abater e fazer da própria existência um muro de lamentações é uma idéia que me desagrada profundamente. Assim, prefiro acreditar que os obstáculos existem não para barrar a nossa caminhada, mas para nos lembrar que vencer significa estar também preparado para certos sacrifícios e para muitos testes de resistência e determinação.
          Não é nada fácil ser um resiliente, mas os especialistas dão algumas dicas que podem ser um ponto de partida. Uma delas diz respeito à primeira reação que se deve ter no instante em que surge a crise. É importante formular uma explicação para o que está ocorrendo, analisar as circunstâncias, a sequência dos fatos e as razões da adversidade. Paralelo a isso, tentar entender os próprios sentimentos em relação ao processo como um todo.
          O passo seguinte é pensar nas possíveis estratégias do que fazer ao sair da crise. Afinal, se projetar no futuro é sempre uma boa saída para suportar a dor do momento. Mas é fundamental ter em mente que é no presente que a mudança acontece. Assim como é essencial não depositar nos outros a tarefa de salvador da pátria. Estabelecer laços com pessoas que podem representar coragem e estímulo é uma coisa, mas deve ser de cada um a responsabilidade de resgatar-se do fundo do poço.
          Vale a pena ainda valorizar as pequenas vitórias, pois isso traz auto-confiança e serve de impulso para se tentar chegar a outras. Por fim, o verdadeiro resiliente não pensa apenas em si, mas nos que vão se beneficiar com as suas conquistas ou tomá-las como exemplo. No mais, é pagar para ver!

(publicado no jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, de 6 de agosto de 2004)


Posted: 01:01 PM, May. 30, 2005
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A PROPOSTA DE ZIRALDO


Posted: 08:26 PM, May. 29, 2005
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A PROPOSTA DE ZIRALDO

A Proposta de Ziraldo

Roberto D’arte

 

Certa vez uma vestibulanda desesperada com seu fraco desempenho nas redações me disse que não sabia mais o que fazer pois havia chegado à conclusão que não tinha o “dom de escrever”. Tentando dissuadi-la dessa idéia um tanto comodista da falta de dom, perguntei qual teria sido o último livro que ela havia lido por prazer. Pausa. Na verdade, uma longa pausa antes que a garota dissesse um “sei lá” como quem se envergonha de ter lido apenas um ou dois livros durante toda a vida.

Então lembrei a ela aquela velha história do homem que pedia a seu santo de devoção uma forcinha para ganhar uma bolada na loteria. Fervoroso, acreditava realmente que viria uma ajuda do Céu para seu pedido tão sincero. Mas ela não vinha e ele continuava na mesma miséria de sempre. Queixando-se para um amigo de ter sido abandonado pelo santo e pela sorte, ouviu dele a única observação possível: “como é que você quer uma mãozinha lá de cima se nem o bilhete da loteria você compra???”

Considerando-se a existência do dom (que é entendido normalmente como uma determinada qualidade que cada um já traz ao nascer), mesmo assim ele precisa ser lapidado para florescer. Saber escrever é, antes de tudo, o resultado de um exercício como outro qualquer. Requer teoria porque ela é a bagagem onde se guarda o conteúdo que sai em forma de escrita. No entanto não há teoria que se sustente sem prática. E muita prática, diga-se de passagem, se o objetivo é um aperfeiçoamento cada vez maior. Há algum tempo a cantora Gal Costa comentou com o pianista Arthur Moreira Lima que daria a vida para tocar tão bem como ele. “Eu dei”, disse o músico.

A essa altura o leitor deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com Ziraldo e com qualquer proposta que ele tenha feito. Calma que eu chego lá!!! O escritor e cartunista mineiro escreveu recentemente um ótimo artigo sobre o assunto em sua coluna no Estado de Minas.

Constatando o quanto as novas gerações cada vez mais se afastam dos livros e, consequentemente, do ato de escrever, ele fez uma proposta simples e direta: “centrar parte do Ensino Fundamental – da alfabetização até os três primeiros anos de escolaridade –  em apenas três pontos: 1- Leitura e Escrita, 2- Aritmética: as Quatro Operações e 3- Ensino da Regra de Três Simples”.

Ziraldo justifica sua proposta ressaltando que o Ensino Fundamental no Brasil tem sido um “semear sobre pedras”, acrescentando que “não se joga sementes num terreno que não esteja arado”. O criador do Menino Maluquinho – personagem  que marcou a etapa final da minha infância e de tantas outras depois – fala da leitura e da escrita de um jeito que é impossível contestar: “menino tem, antes de tudo, que aprender a ler e escrever como quem respira. Com um detalhe: tem que aprender a gostar de ler, a descobrir que o livro é o melhor amigo...”

Para o estudo da aritmética e da regra de três simples, Ziraldo não é menos preciso ou poético. Ele diz que a tabuada deve ser aprendida como quem aprende a letra de uma canção (“aritmética tem música, será mais fácil de aprender se não a transformarmos em obrigação”) e que as quatro operações são como uma espécie de chave para que a criança saiba se localizar no tempo. Já a regra de três simples é um bom passaporte para quem deseja “se localizar no espaço, saber as proporções do mundo em que habita e ler o mapa da mina”.

Será que um escritor como Ziraldo, que declara ter se apaixonado pelo desenho e pela leitura desde a infância, deve todo o seu talento a um dom que trouxe? Quem quiser tirar essa dúvida é só aproveitar a vinda dele à cidade e perguntar diretamente qual é a sua fórmula para escrever tão bem. Alguém suspeita?

(publicado no jornal TRIBUNA LIVRE de 10 de maio de 2002)


Posted: 08:21 PM, May. 29, 2005
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LOBO DO LOBO


Posted: 08:20 PM, May. 29, 2005
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