A CHEGADA DE LAMPIÃO NO CÉU
Lampião foi no inferno
Ao depois no céu chegou
São Pedro estava na porta
Lampião então falou:
- Meu velho não tenha medo
Me diga quem é São Pedro
E logo o rifle puxou
São Pedro desconfiado
Perguntou ao valentão
Quem é você meu amigo
Que anda com este rojão?
Virgulino respondeu:
- Se não sabe quem sou eu
Vou dizer: sou Lampião.
São Pedro se estremeceu
Quase que perdeu o tino
Sabendo que Lampião
Era um terrível assassino
Respondeu balbuciando
O senhor... está... falando...
Com... São Pedro... Virgulino!
Faça o favor abra esta porta
Quero falar com o senhor
Um momento meu amigo
Disse o santo faz favor
Esperar aqui um pouquinho
Para olhar o pergaminho
Que é ordem do Criador
Se você amou o próximo
De todo o seu coração
O seu nome está escrito
No livro da salvação
Porém se foi um tirano
Meu amigo não lhe engano
Por aqui não fica não
Lampião disse está bem
Procure que quero ver
Se acaso não tem aí
O meu nome pode crer
Quero saber o motivo
Pois não sou filho adotivo
Pra que fizeram-me nascer?
São Pedro criou coragem
E falou pra Lampião
Tenha calma cavalheiro
Seu nome não está aqui não
Lampião disse é impossível
É uma coisa que acho incrível
Ter perdido a salvação
São Pedro disse está bem
Acho melhor dar um fora
Lampião disse meu santo
Só saio daqui agora
Quando ver o meu padrinho
Padre Cícero meu filhinho
Esteve aqui mas foi embora
Então eu quero falar
Com a Santa Mãe das Dores
Disse o santo ela não pode
Vir aqui ver seus clamores
Pois ela está resolvendo
Com o filho intercedendo
Em favor dos pecadores
Então eu quero falar
Com Jesus crucificado
Disse São Pedro um momento
Que eu vou dar o seu recado
Com pouco o santo chegou
Com doze santos escoltado
São Longuinho e São Miguel,
São Jorge, São Simão
São Lucas, São Rafael,
São Luiz, São Julião,
Santo Antônio e São Tomé,
São João e São José
Conduziram Lampião
Chegando no gabinete
Do glorioso Jesus
Lampião foi escoltado
Disse o Varão da Cruz
Quem és tu filho perdido
Não estás arrependido
Mesmo no Reino da Luz?
Disse o bravo Virgulino
Senhor não fui culpado
Me tornei um cangaceiro
Porque me vi obrigado
Assassinaram meu pai
Minha mãe quase que vai
Inclusive eu coitado
Os seus pecados são tantos
Que nada posso fazer
Alma desta natureza
Aqui não pode viver
Pois dentro do Paraíso
É o reinado do riso
Onde só existe prazer
Então Jesus nesse instante
Ordenou São Julião
Mais São Miguel e São Lucas
Que levassem Lampião
Pra ele ver a harmonia
Nisto a Virgem Maria
Aparece no salão
Aglomerada de anjos
Todos cantando louvores
Lampião disse: meu Deus
Perdoai os meus horrores
Dos meus crimes tão cruéis
Arrependeu-se através
Da Virgem seus esplendores
Os anjos cantarolavam
saudando a Virgem e o Rei
Dizendo: no céu no céu
Com minha mãe estarei
Tudo ali maravilhou-se
Lampião ajoelhou-se
Dizendo: Senhora eu sei
Que não sou merecedor
De viver aqui agora
Julião, Miguel e Lucas
Disseram vamos embora
Ver os demais apartamentos
Lampião neste momento
Olhou pra Nossa Senhora
E disse: Ó Mãe Amantíssima
Dá-me a minha salvação
Chegou nisto o maioral
Com catinga de alcatrão
Dizendo não pode ser
Agora só quero ver
Se é salvo Lampião
Respondeu a Virgem Santa
Maria Imaculada
Já falaste com meu Filho?
Vamos não negues nada
– Já ó Mãe Amantíssima
Senhora Gloriosíssima
Sou uma alma condenada
Disse a Virgem mãe suprema
Vai-te pra lá Ferrabrás
A alma que eu pôr a mão
Tu com ela nada faz
Arrenegado da Cruz
Na presença de Jesus
Tu não vences, Satanás
Vamos meu filho vamos
Sei que fostes desordeiro
Perdeste de Deus a fé
Te fazendo cangaceiro
Mas já que tu viste a luz
Na presença de Jesus
Serás puro e verdadeiro
Foi Lampião novamente
Pelos santos escoltado
Na presença de Jesus
Foi Lampião colocado
Acompanhou por detrás
O tal cão de Ferrabrás
De Lúcifer enviado
Formou-se logo o júri
Ferrabrás o acusador
Lá no Santo Tribunal
Fez papel de promotor
Jesus fazendo o jurado
Foi a Virgem o advogado
Pelo seu divino amor
Levantou-se o promotor
E acusou demonstrando
Os crimes de Lampião
O réu somente escutando
Ouvindo nada dizia
A Santa Virgem Maria
Começou advogando
Lampião de fato foi
Bárbaro, cruel, assassino
Mas os crimes praticados
Por seu coração ferino
Escrito no seu caderno
Doze anos de inferno
Chegou hoje o seu destino
Disse Ferrabrás: protesto
Trago toda anotação
Lampião fugiu de lá
Em busca de salvação
Assassinou Buscapé
Atirou em Lucifer
Não merece mais perdão
Levantou-se Lampião
Por esta forma falou
Buscapé eu só matei
Porque me desrespeitou
E Lucifer é atrevido
Se ele tivesse morrido
A mim falta não deixou
Disse Jesus e agora
Deseja voltar à terra
A usar de violência
Matando que só uma fera?
Disse Lampião: Senhor
Sou um pobre pecador
Que a Vossa sentença espera
Disse Jesus: Minha mãe
Vou lhe dar a permissão
Pode expulsar Ferrabrás
Porém tem que Lampião
Arrepender-se notório
Ir até o "purgatório"
Alcançar a salvação
Ferrabrás ouvindo isto
Não esperou por Miguel
Pediu licença e saiu
Nisto chegou Gabriel
Ferrabrás deu um estouro
Se virou num grande touro
Foi dar resposta a Lumbel
Resta somente saber
O que Lampião já fez
Do purgatório será
O julgamento outra vez
Logo que se for julgado
Farei tudo versejado
O mais até lá freguês
De Rodolfo Coelho Cavalcanti
*
Por Homero Ramos
A Chegada de Lampião no Inferno
Um cabra de Lampião
por nome Pilão Deitado
que morreu numa trincheira
um certo tempo passado
agora pelo sertão
anda correndo visão
fazendo malassombrado.
E foi quem trouxe a notício
que viu Lampião chegar
o inferno nesse dia
faltou pouco pra virar
incendiou-se o mercado
morreu tanto cão queimado
que faz pena até contar
Morreram a mãe Conguinha
o pai Forrobodó
cem netos de Parafuso
um cão chamado Cotó
escapuliu Boca Ensoça
e uma moleca moça
quase queimava o totó
Morreram cem negros velhos
que não trabalhavam mais
um cão chamado Traz Cá
Vira-Volta e Capataz
Tromba Suja e Bigodeira
um cão chamado Goteira
cunhado de satanás.
Vamos tratar na chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu:
Quem é você, cavalheiro?
Moleque, eu sou cangaceiro:
Lampião lhe respondeu.
- Moleque, não; sou vigia
e não sou seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é o primeiro:
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.
Então esse tal vigia
que trabalha no portão
dá pisa que voa cinza
não procura distinção
o negro, escreveu não leu
o macaiba comeu
ali não se usa perdão.
O vigia disse assim:
fique fora que eu entro
vou conversar com o chefe
no gabinete do centro
por certo ele não lhe quer
mas conforme o que disser
eu levo o senhor pra dentro.
Lampião disse: vá logo
quem conversa perde hora
vá depressa e volte já
eu quero pouca demora
se não me derem ingresso
eu viro tudo asavesso
toco fogo e vou embora.
O vigia foi e disse
e satanás no salão:
saiba a vossa senhoria
que aí chegou Lampião
dizendo que quer entrar
e eu vim lhe perguntar
se dou-lhe ingresso ou não.
- Não senhor, satanás disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora!
eu já estou com vontade
de botar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.
- Lampião é um bandido
ladrão da honestidade
só vem desmoralizar
a nossa propriedade
e eu não vou procurar
sarna pra me coçar
sem haver necessidade.
Disse o vigia: patrão
a coisa vai arruinar
eu sei que ele se dana
qunado não puder entrar
satanás disse: isso é nada
convide aí a negrada
e leve os que precisar
- Leve cem dúzias de negros
entre homem e mulher
vá lá na loja de ferragem
tire as armas que quiser
é bom avisar também
pra vir os negros que tem
mais compadre de Lucifer
E reuniu-se a negrada
primeiro chegou Fuchico
com o bacamarte velho
gritando por Cão de Bico
que trouxesse o Pau de Prensa
e fosse chamar Tangença
em casa de Maçarico.
E depois chegou Cambota
endireitando o boné
Formigueiro e Trupe-Zupe
e o crioulo Quelé
chegou Caé e Pacáia
Rabisca e Cordão de Saia
e foram chamar Bazé.
Veio uma diaba moça
com a calçola de meia
puxou a vara da cerca
dizendo: a coisa está feia
hoje o negócio se dana!
E gritou: êta baiana
agora a ripa vadeia!
E saiu a tropa armada
em direção do terreiro
com faca, pistola e facão
cravinote e granadeiro
uma negra também vinha
com a trempe da cozinha
e o pau de bater tempero.
Quando Lampião deu fé
da tropa negra encostada
disse: só na Abissínia
oh! tropa preta danada!
o chefe do batalhão
gritou de arma na mão;
- Toca-lhe fogo, negrada!
Nessa voz ouviu-se tiros
que só pipoca no caco
Lampião pulava tanto
que parecia um macaco
tinha um negro neste meio
que durante o tiroteio
brigou tomando tabaco.
Acabou-se o tiroteio
por falta de munição
mas o cacête batia
negro rolava no chão
pau e pedra que achavam
era o que as mãos pegavam
sacudiam em Lampião.
- Chega traz um armamento!
(assim gritava o vigia)
traz a pá de mexer doce
lasca os ganchos de caria
traz um bilro de Macau
corre, vai buscar um pau
na cêrca da padaria!
Lucifer mais satanás
vieram olhar do terraço
todos contra Lampião
de cacête, faca e braço
o comandante no grito
dizia: briga bonito
negrada, chega-lhe o aço!
Lampião pôde apanhar
uma caveira de boi
sacudiu na testa dum
ele só fez dizer: oi!...
Ainda correu dez braças
e caiu enchedo as calças
mas eu não sei dizer o que foi.
Esatava travada a luta
duma hora fazia
a poeira cobria tudo
negro embolava e gemia
porém Lampião ferido
ainda não tinha sido
devido a grande energia.
Lampião pegou um seixo
e rebolou-o num cão
mos o que; arrebentou
a vidraça do oitão
saiu fogo azulado
incendiou o mercado
e o armazém de algodão.
Satanás com esse incêndio
tocou no búzio chamando
corretam todos os negros
que se achavam brigando
Lampião pegou a olhar
não vendo com quem brigar
também foi se retirando.
Houve grande prejuízo
no inferno nesse dia
queimou-se todo dinheiro
que satanás possuia
queimou-se o livro de pontos
perdeu-se vinte mil contos
somente em mercadoria.
Reclamava Lucifer: horror mais não precisa
os anos ruins de safra
agora mais esta pisa
se não houver bom inverno
tão cedo aqui no inferno
ninguém compra uma camisa.
Leitores, vou terminar
tratando de Lampião
muito embora que não possa
vou dar a explicação
no inferno não ficou
no céu também não entrou
por certo está no sertão.
Quem dúvida desta história
pensar que não foi assim
querer zombar do meu sério
não acreditando em mim
vá comprar papel moderno
escreva para o inferno
mande saber de Caim.
De José Pacheco
*
Por Homero Ramos
Receba as flores que lhe dou...
E em cada flor um beijo meu...
São flores lindas que lhe dou, rosas vermelhas com amor...
Amor que por você nasceu...
Que seja assim por toda vida.
E a Deus mais nada pedirei.
Querida mil vezes querida,
Deusa na terra nascida.
A namorada que sonhei...
E no dia consagrado aos namorados sairemos abraçados por aí a passear...
Um dia no futuro então casados mas eternos namorados, flores lindas eu ainda vou lhe dar!!!
Por Homero Ramos, um mero servo seu.
MÃES
Por Homero Ramos
Mãe é mãe e coração de mãe não se engana. Ser mãe é conhecer o amor sublime, amar incondicionalmente, ser amiga, companheira, protetora, professora, conselheira...
Quando criança eu não entendia a agonia de uma mãe no portão de fora de uma prisão chorando desesperada por seu filho, um marginal irrecuperável cheio de crimes hediondos. Até que um dia me disseram: Você só conseguiria entender se um dia fosse mãe também.
De fato. Ser mãe é tão sublime que torna-se incompreensível. É tanta renúncia que torna-se admirável.
Portanto, merece ser comemorado. Todo dia!
Entretanto, nem tudo é um mar de rosas. Todo ano, no dia das mães, eu me pergunto: Será que nomeio de tanta propaganda apelativa e tantas homenagens alguém se lembra daqueles que não tem mães? O dia das mães deve ser uma tortura para essas pessoas. E o que dizer daqueles cujas mães são uma verdadeira vergonha para a classe materna? Mães assassinas, mães oportunistas, mães sanguinárias. Ninguém se atreve a falar delas. Pois eu me atrevo! Conheci muitos casos com mães dessa espécie. Principalmente aquelas que torturam os filhos psicologicamente e fisicamente. Mães que maltratam suas próprias crias. Mães sem escrúpulos, sem sensibilidade, sem dom nenhum para desempenhar papel tão importante.
Faz muitos anos, uma amiga de minha irmã, quando ainda criança, aprendeu a usar drogas para aliviar as dores que sentia na hora da surra diária: Foi um rapaz que me ofereceu na hora do recreio da escola dizendo que se eu usasse não sentiria nada quando apanhasse da mãe, disse a menina para mim estarrecido.
Sempre quis publicar essa história desde então para que servisse de mau exemplo. Conheço outras tristes histórias como esta mas não vou relatar todas porque sinto-me muito mal em lembrá-las.
Mães que espancam os filhos por motivos diversos são um exemplo clássico. As agressões verbais infundadas são outra violência que ferem e sangram por dentro as crianças com conseqüências irreversíveis que normalmente são carregadas até o dia da morte.
Venho por meio deste artigo defender aqueles que são vítimas de suas supostas mães e que são completamente esquecidos nos dias de comemoração das mesmas. Ser mãe não é pra qualquer uma. Não tenha filhos se você tem dúvidas disso.
Para aqueles que conseguem rir, republico agora um texto que recebi de um amigo que recebeu de uma amiga que recebeu de um primo....
"Minha mãe me ensinou a apreciar um trabalho bem feito:
"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. EU ACABEI DE LIMPAR A CASA!!"
Minha mãe me ensinou a ter fé:
"É MELHOR VOCE REZAR PARA QUE EU NÃO PEGAR VOCÊ FUMANDO"
Minha mãe me ensinou a lógica:
"PORQUE EU ESTOU DIZENDO, ACABOU, PONTO FINAL!"
Minha mãe me ensinou o que é motivação:
"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VOCÊ CHORAR!"
Minha mãe me ensinou a contradição:
"FECHA A BOCA E COME!!!"
Minha mãe me ensinou a ter força de vontade:
"VOCÊ VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TUDO"
Minha mãe me ensinou a valorizar um sorriso:
"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!!!"
Minha mãe me ensinou a retidão:
"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!!!"
OBRIGADO, MAMÃE!!!
OS VESTIBULARES DA VIDA.
Quando criança, estudar parecia mais uma brincadeira e o significado de "preocupações futuras" era naturalmente desconhecido por completo.
No fim do primário, lembro-me da professora de história nos dizendo amavelmente (ironicamente falando) em seu último e sonhado dia de aula que a entrada no segundo grau não significava nada visto que ainda passaríamos por muita coisa.
No segundo grau tive a doce ilusão de que a pior fase da vida seria a fase do vestibular. Após perder grande parte de meus neurônios, acender velas, fazer promessas e jurar que se eu saísse vivo daquela etapa da vida eu nunca mais desejaria outra coisa, sobrevivi.
Pouco tempo após entrar na universidade tudo que eu mais ansiava era conseguir terminar e dar o fora dali o mais rápido possível. Lá se foram os neurônios restantes, a paciência restante e mais tempo...
Enfim, o canudo!!! Ao dar o meu primeiro suspiro de liberdade daquele castigo me vejo desesperado por um emprego ou trabalho.
Quanto mais o tempo passa mais os vestibulares da vida vão ficando difíceis até o ponto de eu perguntar: Será que conseguir um trabalho é a última porcaria de teste que eu vou ter que enfrentar ou minhas esperanças de
tranqüilidade já podem morrer aqui mesmo?
Por Homero Ramos
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