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| Este conto busca refletir sobre nossa sociedade junto com suas possibilidades de transformação.. |
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E por que escrevo ? Na época das cavernas eu já escrevia nas paredes, rabiscava versos, rascunhava paisagens... Agora, nesta tela de computador, com todo tipo de formatação, continuo a querer me expressar. Me lembro de um dia em frente a fogueira. Meu pensamento, de linguagem metafórica, sobrevoou as crenças da tradição, como se descobrisse que a terra não tinha fim, não era quadrada. Teço teorias, como teço os dias e vou me vestindo de muitas fantasias. No fim, a busca é pela identidade, acaso ou não, é ela. Será que o Estado realmente controla? Cada sociedade com seus deuses, seus papas, porém, a força reside no indivíduo, livre. De algum modo este brilho lhe toca. Não sei se tens alma, creio que não. Este corpo delicado, com pés e mãos, essa voz adaptada, este sangue que circula inconsciente, por exemplo, é a parte que te monta. E nós, montados, desmontamos o mundo. Porque se eu, dentro da vida, olho para a janela semi-aberta, ouço a porta que bate, sinto meu corpo sobre a cadeira, pergunto sobre o que é a razão, imagino que ela, nada sabe sobre nós. Olhe este texto desconexo como as sensações. Respiro fundo para ir mais além. Submerso nas profundezas, encontro sociedades incas, guerras sem fim, serenatas, tecnologias, insights de pedra lascada, correntes que nos atam, senhores e vassalos, encontro tudo, menos o que falta | ||
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“Segundo Pablo Neruda, os dias de amanhã são como pães que se espera sair do forno. Dessa mesma maneira, aqueles dias pareciam que ainda estavam no forno prestes a sair... mas ninguém no mundo, é claro, poderia imaginar o que sairia. Nem o padeiro.” “O tempo não para e a gente ainda passa correndo”, dizia Cazuza. Acontece que André não queria que sua vida passasse Após conversar com seus amigos sobre uma possível revolução em sua cidade, André se sentira frustrado. Seus amigos eram contra o que ele dissera. Não apoiavam nada do que tinham escutado. André ficara surpreso. Não entendia como é que seus amigos poderiam se declarar como a favor do sistema capitalista. Nem mesmo eles, as pessoas que mais acreditava não concordar com o sistema, gostariam de praticar a tal revolução. No entanto, engano seria pensar que isto lhe diminuíra as forças. Ao contrário, dentro de si mesmo aumentava a confiança de que ele estava certo. Em sua cabeça estava tudo muito claro. Afinal, não deve ter sido fácil para Gandhi, Mártir Luther king e Simon Bolívar, convencer as pessoas de que seus propósitos eram positivos e trariam bem estar a todos. A claridade de suas idéias já não lhe deixava mais dormir e quando dormia acordava sobressalto com sonhos palpitantes... Certa noite sonhara com a capa do disco do Nirvana em que o bebe vai ao encontro de uma nota de um dólar, pensara. Assim, de um estalo, tudo fizera ainda mais sentido. André fez uma mochila colocou-a nas costas e lançou-se no mundo. Não podia perder mais tempo. O tempo era escasso e aliado da descrença. Ele já sabia o que devia ser feito. Só não sabia o que lhe esperava... | ||
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André acabara de chegar ao Hospedeiro e já o achava incrivelmente familiar. Havia lá toda sorte de livros, armas, mapas. Tinha o aspecto de um antigo albergue. O hospedeiro, fora inaugurado por Eugênio Batista em 2001 e desde então, o número de pessoas que decidiram viver ali fora aumentando. Soube que aquele lugar existia, após lembrar-se de uma conversa que tivera com um antigo colega. Dissera-lhe que havia um lugar onde se reuniam estudantes e trabalhadores in-conformados com o rumo político que o país vinha tomando a partir do governo de FHC. Por sorte, tinha anotado, na época, o endereço do Local. O plano da organização era simples: tomar posse de uma cidade paulista e lá instalar o comunismo, de forma parecida com o que aconteceu na Revolução Cubana de 1959. É certo que, comparada com a força militar de uma pequena cidade, aquela organização guerrilheira não seria capaz nem de assaltar um banco de pequeno porte, quanto mais tomar posse de toda uma cidade. Além disto, poucos tinham habilidades com armas para manejá-las. Isto talvez, fosse um ponto negativo pra eles. Por outro lado, a grande arma que o grupo carregava consigo era sua incrível capacidade de articular informações externas com suas estratégias. Eugênio Batista, por exemplo, tinha correspondentes na Venezuela com quem trocava constantemente informações sobre qual seria o melhor meio de se fazer a revolução. O Hospedeiro era um movimento sério. Comprometido até os dentes com seus ideais de justiça. E, aos poucos, André foi tomando conhecimento disto... | ||
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O aeroporto da cidade estava lotado. A maioria dos vôos atrasados. Inclusive o de Sebastian, com seus quatros guerrilheiros venezuelanos. Felizmente, seu avião pousara. Viriam para reforçar o grupo dos Hospedeiros. O grupo já estava reunido numa pequena sala, esperando por alguma novidade trazida por ele. Foi então que disse: - Tem-se dito que quase ninguém quer saber mais de revolução. Que as transnacionais, com suas avalanches de propaganda, conduzem a vida de bilhões de pessoas a um desenfreado consumismo. E que quase todas as tentativas de se lutar por um mundo mais justo foram fracassadas ao longo da história. Então, eu lhes pergunto, por que ainda acreditamos que nosso plano pode dar certo? Houve um longo silêncio. Ninguém esperava aquele tipo de discussão, um dia antes do início da Revolução. Mas, André respondeu. - Nós não precisamos imitar a maioria. Um outro membro do grupo também se manifestara. Era Jonatas. Um jovem de 23 anos, vindo da periferia que entrara a pouco tempo no movimento. Disse: -Para muitos, nossa revolução deve parecer uma atitude rebelde e sem fundamento. Mas para quem já sofreu com a violência, a exclusão e a miséria sabe que nossa luta é justa. O grupo conversou por um bom tempo. Tinham total consciência que sua marcha poderia rumar ao sonho da revolução ou ao pesadelo de uma atitude inconseqüente. Finalmente, Sebastian resolvera apoiar o grupo com seus guerrilheiros. Enfim, os planos e as estratégias estavam decididos.. em poucas horas eles dariam início a grande aventura... | ||
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Vinte pássaros armados sobrevoaram aquela cidade. Era uma tarde de domingo, voavam despercebidos pelos 400 mil habitantes daquele território. Seqüestraram duas pessoas importantes da cidade, líderes de duas grandes empresas transnacionais. Levaram os dois até um canal de TV, também invadidos por eles. E então, apresentaram-se como grupo guerrilheiro de libertação. Em pouco tempo a notícia do seqüestro foi se espalhando por toda a cidade. Todos (ou quase) ligaram a TV para saber do que se tratava aquele acontecimento inesperado. Eram 22:00 horas da noite. Sebastian, uma espécie de Che Guevara pós-moderno, aparecia junto com os dois seqüestrados. Tinha coragem e carisma. Sabia como falar ao público. Olhou a câmera e disse, com entusiasmo: - Queremos fazer a revolução. É hora de mudarmos nosso futuro. Essa cidade poderá se tornar autônoma se todos nós trabalharmos juntos em busca de justiça e igualdade. As pessoas olhavam intrigadas à tv. Não entendiam o que aquele rapaz estava dizendo. Tinham tantos interesses cotidianos a serem cumpridos que não sobrava tempo para pensar no sentido daquelas palavras... autonomia, justiça, igualdade.. Enfim, souberam que o grupo tinha sido preso. Sentiram-se aliviadas, o Estado tinha cumprido sua missão de preservar a ordem e o progresso. | ||
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Em juventude meu andar tropeça Ou na infância de meus 21 anos? Defronte: o futuro, a bela estrada invisível Qual maças proibidas, minha mão faz planos Uma agulha negra na selva febril Tecendo fios, minha alma desce A alcançar este licor do mistério Que faz tocar os sinos dos olhares terrestres A morte não mais se esconderá E os brilhantes oníricos aparecerão: Tal destino as almas tenham! Sobre o mundo, há tão-somente o canto de um pássaro enquanto nossas vidas queimam. | ||
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