Fazendo as perguntas para o mais além ...


NA TENTATIVA DE SOLUCIONAR O IRREMEDIÁVEL: Entre Nietzsche e Kant você pode ir se aproximando da psicose: justificar o primeiro no último, a consciência total, o mundo em mim, só de fato o é, é o o que nos resta, porque existe o todo e ele não se abarca, o imperativo categórico, o absoluto, a verdade em si. Dá pra ficar tudo muito engraçado ao se encontrar sentido no não fazer sentido algum.

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Posted at 11:09 PM on 16.6.2006

A propósito de quartos esfumaçados.

 

Não: não morreremos disto.

Tira de mim este olho que reprova, tem pena, tem superioridade.

Morreremos de ódio. De desgosto, de falta. Morreremos de doenças modernas ou antigas, cardiovasculares ou infecciosas. Morreremos de violência ou acidentes trágicos. Mas não disto. Preciso lembrar, porque me existe algo de culpa face aos meus moralismos mais antigos. Não é uma incoerência esse novo estado das coisas, mas uma coerência em outros moldes: esta é a vida, que fazemos então?

Não, não adoeceremos disto. Já estamos doentes, vês? Já estamos mortos.

Meu bem, não. Quer saber? Meu olho é que te dilacera com pena e compreensão, como se você fosse uma criança tola que ainda não descobriu o mundo sujo. Sei mais que você: não adoecerei disto, já viemos adoecidos a um mundo doente: entende é mais além. Amor, algo de mim que é força só atua: viver, agora, amar, gostar, ser mais qualquer coisa de total, feliz. Tem mais fundo nesta aproximação com si, com os outros, abraçando árvores no caminho e profetizando praias e cachoeiras e coisas mais atreladas a mais terra. Que isso? Que isso que determina esta categoria: tran-qüi-li-da-de. Você não tem.

Talvez morreremos nisto, admito. Na busca de desconfigurar o tédio implicado a sociedade burguesa: é dívida com o mundo? É não mudá-lo? É não curá-lo como quem busca compensar a si? Não morreremos da busca, entretanto. Morremos antes, já mais jovens, quando nos voltamos a este movimento.

É preciso escrever canções para celebrar a destruição: essa de nós. Eu tenho mais de mim que você tem de você.  A destruição de nós é nos boicotes, na sacanagem, vem da gente, não do mundo. Quero cantar pra mim que não valho nada e não sou ninguém e sei disso.  Ao menos o consolo: o alívio que encontraremos nisso. Longe do mais isso sobre o qual não queremos falar.

Vamos celebrar, então, a loucura: somos radicais, liberais, comunistas, doidos, sonhadores, insanos, utópicos, hippies, contra o sistema, paranóicos, radicais, violentos.  Tudo um: não nos renderemos ao não lutar. Lutamos a luta mais dentro: não sucedemos em adaptá-la. Não encontramos tanta sorte em apaziguar feridas: somos sensíveis, embora vocês não percebam. Existe razão aqui, existe verdade neste exercício a que nomeiam trágico, criminoso, imaturo, errado. Mas tão belo, é quase romântico. Somos loucos e doentes: ao menos em comum termos renunciado à sabedoria.

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Posted at 11:06 PM on 16.6.2006

Menção a você numa noite triste de quinta-feira. (da verdadeira menção a Zé)

 

           

Sinto falta. Não sei se de você ou do que me vem de você quando você não está. Não importa: sinto falta apenas, não quero trazer esta falta ao mais real; será que você me quer, será que a gente combina, será que você mudaria, será que eu tenho jeito, será que de repente tudo viraria mágica.

Estou enlouquecendo nesta cidade. Nem posso te chamar, não tem muito que fazer, não faço! Estou em prostração, é um estado novo das coisas. Pensei bastante nisto tudo do sem-nome, também nisso tudo de você e as lembranças que traz. Você é doce: nunca me deixa rancores eternos. Você é de outro mundo, todo mais fácil e sem tempo ruim, quero os cachos dos teus cabelos longos mais perto de mim. Tem uma coisa que me diz: ao seu lado o mais alé do azul tem alcance. Tem esperança nisso de você, é vislumbre de remediar a realidade sufocante, nem é fugir, é possibilitar.

Queria que você fosse minha: você assim dói, não ter, conhecer, dói querer não ter. é besteira. É ruim assumir se assim tão sem mãos. Você não presta mulher, eu também não presto, eu entendo, quem é que faz valer prestar hoje em dia?

A cidade me adoece. Enlouquece. Tão preso, tão bicho, tão sem respostas. Não sei: estas luzes estes carros estes gritos fugas esta coisa do outro nome que dá a calhar chamar tristeza. Querer fugir. Mais. Acreditar ou desacreditar de vez. Voltei nestas esperanças: focando-me ao que restam marias, lares, coisas r/construídas entre pessoas. Quero te dizer tudo isso pra saber o que é você acha.

Muitas curvas vão se tramando no caminhar do meu pensamento. Lembro muito do que me falta ser para suportar o que me remete sua ausência. Então é por aí que você vai surgindo numa quinta-feira tristonha.

Tenho também sentido falta de estar sentado no sofá naqueles tempos da casa branca, compondo um pequeno e essencial estar no grande viver, mas assim só como pano de fundo espalhado-distante deste tal sofá em meio a seguranças e despreocupações. É o não agora: o agora é sempre mais difícil que antes.

Não quero dizer bobagens, no entanto.

Queria só dizer que se um dia surgisse, fosse lúcido quaisquer menções de mim a você.

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Posted at 1:34 AM on 14.6.2006


"Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...)

(trecho de Caio Fernando Abreu, em "Gerânios"/ Pedras de Calcutá )

 

E se de repente até: desejando loucamente esse luxo de fumar e ficar horas pensando em absolutamente nada. Anseio algo de incompreender, esquecer, não entender: controlar, saber.

 

Fico horas questionando e repensando e refletindo e teorizando e vai me cansando, tanto. Querer parar então, simplesmente. Algo vem assim, atender à nome de tristeza.

 

Bem mais: fragilização. Protege, protege dos meus fantasmas, abraça e diz que vai ficar tudo bem mesmo que eu grite e diga que não vai, você não entende, não conhece, não é pra mim. Então faz assim: ri comigo e me convence que tem jeito nem que eu só veja, assim de repente, em contrução de nós.

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Posted at 3:14 PM on 12.6.2006

    Happy freakin' valentine´s day, afterall

 

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Posted at 3:06 PM on 12.6.2006

 

Gritando

((Eu vou tentar mais é misturar ao invés de categorizar. Afinal, inventou-se a a palavra e inventou-se o conceito: ordem mesmo não existe. É vislumbre afinal, o real mais alcançável. Palavras soltas, atitudes sutis, coisa meio oculta intocável a ser desperta. É romântico: é sempre meu, é sempre instituído determinado implicado: vai ver nem é nada disso. Mas suponha que seja! Vou vivendo o suicídio lento, suicídio no mais puro da transversalidade: é a ausência completa do outro. De vez, vem a ausência completa de si mesmo (para si, para o outro, para o real?). Se da ausência de si é feita a ausência do outro e o eu não é o é sem o outro, não sei. Penso, entretanto, que é isso o meu agora: saber sem ter colo, perguntar sem ter resposta, configurar uma existência que se frustra em não encontrar qualquer conforto no único que é esperança de saída do irremediável. É desesperante a própria fuga disto: é colocar o isto e pedir que lhe tirem-no dele. Isso de agora é então: negar o isto de agora em se render a tua voz calada ou dirigida em tratos ruins ou não.  É esboçar o gesto e esperar sentado com braços cruzados a ver o que é que movimenta. Grito. Você me corre? Falo aqui agora no escrever. Você?))

 

Tenho medo de ir endurecendo, se topo bater de vez com a cabeça na parede. Temo esta amargura, dá nojo de mim ser a representação de algo que tanto desprezo. Algo da estopa desgastada de mim repete sempre: dá-me vida, vida verdadeira e real. Porque ao redor existem os outros que sorriem ou ao menos não choram... Não pensam, no entanto eu não vivo. Cadê o que cabe? O real. Me dá, me dá.... o prazer em si, o prazer enfim, então caio no que? No que não movimenta. O sofrimento move a procura de remedia-lo, o prazer te estatela em gozá-lo. E fica a morte, é irônico? O sofrimento. A dor e o prazer: uma coisa só toda torta. Igual eu e minhas mortes, eu e minhas duvidas, eu e minha vontade de chegar mais perto de saber saber saber: é prazer? Atuando no eu me repetindo a vida toda entre viver e deprimir e não querer mais, recusar, não fazer parte, querer mais que circular: o não querer tão puro esse meu agorinha neste instante me veio.

Shhhhhhhhhhh... mais além, mais mais além.

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Posted at 2:56 PM on 12.6.2006

 

Quero falar mais além, quero ver mais além, ir mais além

bato com a cabeça na parede: não dá, não vai, não sustento ir tão longe,

enfraqueço, quero colo, não pude encontrar uma forma de me dar o

colo de mim:

preciso do outro, preciso de alguém, preciso desepseradamente que faça sentido.

Preciso: resposta, solução, magia, satisfação: afago, carinho, mão no colo, proteção:

 

Hoje não dá/ Hoje não dá/ Não sei mais o que dizer/ E nem o que pensar
Hoje não dá/ Hoje não dá/ A maldade humana agora não tem nome/ Hoje não dá
(...)

Está um dia tão bonito lá fora;/ E eu quero brincar
Mas hoje não dá/ Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada/ E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar p'ra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou.
((trecho de "Os Anjos"/Legião Urbana))

 

 

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Posted at 1:38 AM on 12.6.2006

Encontrando a sutileza do sentido: cura

Mas e que coisa!

Se de repente em não houver de fato sentido, se encontrasse um sentido então. É tudo engraçado, você está no mundo, ele é muito engraçado: besta e pequeno, compreendido, solucionado.

 

Entre Kant e Nietsche:

É por não saber o todo, é pelo imperativo categórico, o absoluto e por nunca atingi-lo, que o que resta é justamente não tê-lo, é aqui e agora, sem quaisquer moralismos. Só há a consciência total por não conseguir se chegar à verdade em si, ao mundo em si: então é desta impossibilidade a absolutez do mundo de mim.

 

 

E se a plenitude de viver fosse o humor negro? Do absurdo que é, topar a brincadeira?

E é por isto assim ser sábio, meio criança, mais leve: saber apreender o prazer sem morrer nele, sem findar nisto, sem parar, estatizar, ainda buscando, ainda tendo este movimento característico do sofrimento, o desespero de saída, a busca por algo que atenda à vida plena, felicidade, prazer em si. Será no alcançar o mais além do mal-estar? Será em encontrar enfim o abarcamento do todo? É destituir a neurose obsessiva da categorização de doença, dando-lhe qualquer quê de ciência, verdade, domínio humano, genialidade? O humor. Mecanismo de vida?

 

 

 

 

 

 

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Posted at 9:50 PM on 11.6.2006

O que se propõe a ser isso?!

 

"Essa morte constante das coisas é o que mais me dói (...)

Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."

(Caio Fernando Abreu, do conto "Lixo e Puurpurina"/ Ovelhas Negras)

 

Porque em qualquer lugar onde se possa realizar o gesto, encontra-se a palavra do outro e a conclusão final.

 

 

Vai sendo mais ou menos assim: vomitar.

Organismo expulsando qualquer coisa ante a qual não continua.

Se é preciso seguir sempre velhos moldes para se inserir e ser de fato, vamos abarcar a parte desta coisa besta que é a ciência. Tudo invenção, mas tão viável: é o que temos. Uns deus, outros religião, outros outras tantas outras ainda.

Em minha opinião o melhor, no que “melhor” se valha, é quanto resta fé nesse imediato a que remetemos coisas simples da vida: eu e o outro.  É por isso que até vai se pautar no discurso do outro, quando ele é também meio teu. Não cabe explicar os mecanismos de Identificação (psicanalítica da escola da coisa freudiana... e isso é termo!); vale dizer que alguém falou sobre eles e resta pensar nisto porque o pensamento é compartilhado ( da necessidade de cooperação no trabalho pela necessidade do sustento em motivação a necessidade de se atingir o maior, o capitalismo em fim e a lógica constante do mundo mais além, surge a linguagem): e teu é meu é outro sou eu, é a esperança em si: teorias.

Ciência, psicologia, filosofia, tem muita besteira, mas tem muito que vale. Porque é o que vale enfim. Precisa-se ir mais além, no entanto. Isto de morrer por completo é bom, porque finalmente se pode viver. Ou não? Viver pressupõe angústia, muitas vezes penso. Mas este é outro mérito que mais introdutório. Ficamos no agora.

Voltando: Organismo expulsando qualquer coisa cuja presença disfunciona. Evita-se qualquer absorção do qualquer coisa: expulsar, expelir, que não fique ruim, que não contamine. Escrever agora é isso, é gritar simplesmente. O desabafo em si?

A grande configuração que abarca o mais além é a falta.

Ela é ainda mais real, ou seja, ainda mais ilusão.

O fato é que entre pensar e escrever há uma perda. Entre pensar e viver há uma perda. Entre o abstrato e o concreto há desfalque. É tudo imparcialidade e circulo sem fim, é pedaços do todo, é eu incompelto, é eu na falta e na dor, é eu sem mim, é ilusão. Vai sempre faltar, por isso é grito e o faço mais faltante ainda, mais incompleto ainda, mais sem você aí deste outro lado ainda, não é teorização, não é a religião da dor: nessa em que tanto gozamos. Gozar? Prazer? Quem o instituiu antes de despertarmos a consciência de não o tê-lo?

Grande e complexa rede de ilusões é a realidade.

E mais além o que é que tem? E no que dá pra ver, o que é que se faz?

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